Acidentes de Trabalho – Episódio 2

Zé Manuel Silva saía de casa todos os dias de manhã. Apanhava um autocarro, que parava justamente à frente da fábrica de móveis onde trabalhava desde há 2 meses.

Era um dia de Inverno rigoroso, mas Zé Manuel sabia que no interior fazia um calor agradável, porque a nova fábrica tinha ótimas condições de ambiente térmico:

“Se não fosse pelas mulheres que aqui trabalham, andava sem camisola a trabalhar” – pensava Zé Manuel.

Chegou ao trabalho, tirou a camisola e o casaco, colocou tudo no seu cacifo, “picou o ponto” e colocou-se à disposição do seu chefe de serviço para iniciar o trabalho.

-Zé! Aquele “aparador” que começaste a lixar ontem, tem que ficar pronto hoje! No final quero aquilo envernizado. Se tiveres dúvidas, pergunta! – disse João Queirós, responsável pela coordenação do serviço nesta secção da fabrica.

-Ok! – disse Zé Manuel prontamente, já em direção ao aparador. “Este gajo deve pensar que sou burro! Eu sei que tenho de acabar o aparador!” – pensou.

O aparador tinha 70 cm de alto, e Zé Manuel tinha justamente deixado para a última fase, lixar a parte inferior do móvel, porque lhe fazia doer as costas. “Se ao menos me deixassem sentar, eu lixava isto na boa!” – pensava ele, visto que tinha 1.80m de atura.

Existia na fábrica uma máquina que elevava as peças, e que possuía um motor que podia girar os móveis, mas estava a ser ocupada. E o serviço tinha de ser feito! E Zé Manuel, colocou mãos à obra.

Passados 50 minutos, estava com uma dor de costas…, mas pensou:” faltam só 10 minutos para o intervalo. Uma hora depois, fez um intervalo. Foi fumar um cigarro no “seu canto”, visto que o chefe de serviço ia sempre à cantina tomar café, e era proibido fumar na fábrica.

Retomou o trabalho, e durante a manhã acabou esta parte do serviço. À tarde, quando voltou fez o mesmo processo rotineiro quando entra na fábrica, e começou a envernizar.

– Até gosto do cheiro do verniz – comentou com o colega Armando, que o aconselhou a usar máscara – Está muito calor aqui dentro para usar máscara. Acabo isto rapidinho!

No final do trabalho, Zé Manuel apressou-se a dirigir a casa, visto que dava o Benfica- Dinamo para a taça UEFA.

Entrou em casa, cumprimento a esposa e disse:

– Lúcia, como qualquer coisita, mas vou ali sentar-me no sofá que estou cheio de dor de costas, e estou com dor de cabeça. Não quero que me chateies com o futebol, porque estou cansado!

Equipamentos de Proteção Individual  (Alínea c), ponto 1, art. 17º, Lei 102/2009,

Obrigações do Trabalhador

c). Utilizar corretamente e de acordo com as instruções transmitidas pelo empregador, máquinas, aparelhos, instrumentos, substâncias perigosas e outros equipamentos e meios postos à sua disposição, designadamente os equipamentos de proteção coletiva e individual, bem como cumprir os procedimentos de trabalho estabelecidos;

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